"Sobre Mulheres"

Ser mulher é acreditar sempre. É... Seguir em frente quando todos param! Acariciar e dar colo! Dividir-se em muitas sem deixar de ser uma, a mais importante! A mulher acontece, encanta, muda, nasce, floresce, cuida, cria, sente, beija, escuta, vê, brinca, brinca e brinca com a vida... e vive!



Olhar de Mulher








Mais sobre fotografia em:
http://entre7olharesfotografia.blogspot.com/



Mª Carolina fotografada por Simone Bilhalva

Todas as mulheres (ainda não seguras de si) deveriam ler esta crônica pelo menos 1 vez por mês

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: "olha, não dá mais".
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?

Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: "mas agora eu to comendo um lanche com amigos".
Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?

Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.

Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra

mim de qualquer jeito.
Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve.

Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.

Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.

Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha.
Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.
Resultado disso tudo: silêncio absoluto.

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.
Ele quem mesmo?

Martha Medeiros

Olhar de mulher






A modelo. Daniela Salmeron (argentina, engenheira de computação e fotógrafa)
ensaiou para a fotógrafa Simone Bilhalva que se propunha a captar
a essência de diferentes olhares
.
As sequências de fotos com outras modelos e mais beleza e expressividade no link:

Sobre ser Mãe

www.mamaenopaisdasmaravilhas.blogspot.com

Um blog de alguém que se viu mãe de repente. Do sexo, drogas e rock and roll à maternidade. Conflitos e angustias sobre o dia a dia, sobre ser mãe, como criar nossos filhos e como estar sempre em busca do melhor para eles. Espaço criado para reunir nós mães, para trocarmos experiências, desabafarmos, pedir dicas, opiniões e conselhos. Para todas nós inseridas esse universo materno e que sem dúvida nenhuma nos torna cada dia melhores.






Yasmin Scaranare
Yasmin, 21 anos. De uma vida regrada a sexo, drogas e rock and roll à maternidade. Aprendendo a ser mãe da Alice e adorando cada vez mais esse novo mundo que me foi proporcionado:

a maternidade!

Pelas mãos delas...

...

A essência feminina, em sua bela configuração,possui uma imensa capacidade de liderar as mudanças em nossa existência, tornando-se até uma ideologia da felicidade, num mundo em que esta se torna, de forma crescente, uma possibilidade cada dia mais real.

Uma liderança de paz e sensibilidade, terna, sensual e prazeirosa, em substituição aos valores de competição, sacrifício, renúncia e ambição.

O universo só tem a ganhar deixando-se conduzir no processo histórico, doravante, pela razão feliz feminina, pela inteligência intuitiva feminina, pelas mãos conciliadoras, fraternais, solidárias e diligentes das mulheres.


(autor desconhecido)

Cromossoma X+X


"Precisando, faço tudo
Eu sou forte
Sou invencível
Eu sou mulher!"
.


Dizem sobre a 'mulher':


... mas além disto "as mulheres têm trabalhado constantemente, continuamente, sempre e em todo lugar, em todo tipo de sociedade, em todas as partes do mundo, desde o início dos tempos humanos...tanto é assim que a visão de uma mulher amamentando um bebê, mexendo uma panela, ou limpando o chão é tão natural quanto o ar que respiramos."

(escritora anônima)





Essa Mulher

De manhã cedo essa senhora se conforma

Bota mesa, tira o pó, lava a roupa,seca os olhos

Ah, como essa santa não se esquece

De pedir pelas mulheres, pelos filhos, pelo pão

Depois sorri, meio sem graca e abraca

Aquele homeme, aquele mundo

Que a faz assim feliz

De tardezinha essa menina se namora

Se enfeita, se decora, sabe tudo, não faz mal

Ah, como essa coisa é tão bonita

Ser cantora, ser artista, isso tudo é muito bom!

E chora tanto de prazer e de agonia

De algum dia, qualquer dia entender de ser feliz

De madrugada essa mulher faz tanto estrago

Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar

Ah, como essa louca se esquece

Quantos homens enlouquece nessa boca, nesse chão

Depois parece que acha graca e agradece

Ao destino aquilo tudo que a faz tão infeliz

Essa menina, essa mulher, essa senhora

Em que esbarro a toda hora no espelho casual

É feita de sombra e tanta luz

De tanta lama e tanta cruz

Que acha tudo natural

Doidas e Santas

“Estou no começo do meu desespero/e só vejo dois caminhos:/ou viro doida ou santa”. São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo o ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão – não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra: “De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?”.

Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente?


Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões – e a gente sabe como as desilusões devastam – terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?

Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe???

Nem ela, caríssimos, nem ela.

Existe mulher cansada, que é outra coisa.

Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou.

Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade.

Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres.

Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais. Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? [não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do].

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar “the big one”, aquele que será:



inteligente;
másculo;
se importará com nossos sentimentos e;
não nos deixará na mão jamais [ traduzindo: rico]


Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser:



independentes;
bonitas;
ter filhos e;
fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis,
Que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny – aiai – Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.



Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações:



exagerada,
dramática,
verborrágica,
maníaca,
fantasiosa,
apaixonada,
delirante.


Pois então. Também é louca. E fascina a todos.

Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.

Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora.

E santa, fica combinado, não existe.

Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.



Martha Medeiros